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segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

O MONSTRO DA FLORESTA TROPICAL



            Já estava anoitecendo quando o grupo percebeu que se anunciava um enorme temporal. Todos, imediatamente foram para suas respectivas barracas, para tentar escapar do aguaceiro que estava para cair. De repente, em meio a trovões e rajadas de vento a chuva despencou.
            Na correria, e medo dos trovões, acabaram entrando na barraca mais próxima e maior, onde dormiriam três amigos, o Gabriel, o Pedro e o Paulo. Ao entrarem todos de uma vez, perceberam que tinham esquecido as lanternas para trás, deixaram-nas caírem no chão e ficaram muito apavorados,  pois além do aguaceiro,  escureceu muito rápido, sem falar dos trovões e relâmpagos. O medo os deixou paralisados, sem ação e não sabiam o que iam fazer para resolver o problema, porque o breu era de meter o dedo no olho.
            Paulo, aparentemente o que estava com menos pavor, vendo o desespero de todos, gritou dizendo que ia tentar pegar ao menos uma das lanternas que caíra mais próximo da barraca em que eles estavam. Pegou um galho que estava ao lado da entrada da barraca e tentou puxa-la, porém as tentativas foram em vão , porque ela não estava tão perto como ele imaginou, estava um pouco longe, onde seu braço não alcançava, apesar das tentativas e, para piorar a situação, logo abaixo tinha um pequeno declínio... Assim, ao se esticar para tentar alcançar a lanterna ele se desequilibrou e acabou rolando morro abaixo. Para longe da entrada da barraca, onde, com a ajuda da escuridão, não podia ser visto pelos colegas.
            Pronto, agora danou-se! O desespero foi total. Todos começaram a gritar, mais apavorados ainda. Agora, além da chuva torrencial, escuridão total, trovões, relâmpagos, o vento forte ameaçando levar as barracas, o colega ainda estava lá fora, sabe-se lá onde e correndo risco. Isso sem falar dos barulhos da floreta que se misturavam com o barulho da chuva. Eram urros... zunidos... Parecia que, de repente, a floresta ganhara vida com a tempestade.
            E agora? Quem teria coragem de sair da barraca pra ajudar o colega? ...
            Ninguém se manifestou...
            Alguns ficaram tão nervosos que começaram a gritar:          Cuidado! Cuidado! Olha o monstro da floresta!
            Inesperadamente fez-se um silencio apavorante e eles sem querer se puseram a relembrar a conversa que estavam tendo antes do aguaceiro cair.
            Quem visse de fora talvez não entendesse o porquê de eles estarem tão desesperados. Era só uma forte chuva. Porém quem lá estava sabia.
            A gritaria e o medo não se davam apenas por conta da chuva e trovões, ou por que o colega poderia se molhar todo, isso dava medo, claro,  mas tinha um, ou vários, agravantes: Naquela floresta tinha monstros que vinham causando terror aos moradores do entorno. Eles bem tinham sido avisados, mas, do alto da arrogância juvenil, pensaram: Que nada, esse povo é medroso!
            A tarde, quando estavam reunidos conversando sobre o “boato” dos moradores, que naquela floresta tinha monstros, todos se empolgaram e começaram a contar outras histórias de monstros em florestas. Estava de dia, sol a pino, e a coragem estava a flor da pele, porém agora, no escuro, o medo tomou conta.
            Lá fora, era um breu total, não se via nada, apenas uns pontinhos luminosos parecendo olhos, a espreita.
            Subitamente, a porta da barraca se abriu e algo entrou de supetão. Uma coisa enorme, que parecia estar com muita raiva. Era grande e peluda. Apesar da escuridão, era possível perceber que aquela coisa era gigantesca. Ou será que eles se encolheram de medo e  coisa parecia maior? Eles não saberiam dizer.
            O pavor os paralisou por um instante, porém o sentido de proteção foi maior e todos começaram gritar e atacar  aquela coisa. Eles podiam até virar comida de monstro, não passar daquela noite, mas não sem lutar.
            Em meio à gritaria e sopapos eles ouviram um grito, um rugido?? Mais alto ainda que os gritos deles...pararam de repente... assustados, agarrando-se uns aos outros.
            O monstro ergueu o braço e um colega pulou para trás, não querendo ser o primeiro a ser devorado.
            A coisa continuou erguendo a mão...  Passou a mão na cabeça, e limpou o rosto, numa tentativa de ver melhor... enxergar seus agressores ...
            Com olhos arregalados e assustados, ainda ressabiados e achando que poderiam virar quitutes na boca do monstro a qualquer movimento, os adolescentes  foram se acalmando, se é que era possível ficar calmo naquela situação. Assim, ao perceberem que não foram devorados os adolescentes abriram os olhos ...suspiraram ... e
            “Ahhh, que alívio”... pensaram todos, estamos vivo...
            Ao erguer os braços o monstro queria apenas se limpar da água e lama que escorria por seu rosto e o impedia de enxergar.
            Com o rosto limpo do excesso de lama os amigos, agora menos apavorados,  perceberam que o “monstro” era apenas o amigo Paulo, que estava cheio de sujeira por ter rolado morro abaixo.  E que ele não os estava atacando, estava tentando se defender por que não conseguia enxergar nada.
            Passado alguns segundos, a chuva estava acalmando e já não se ouvia trovões e relâmpagos. O céu se iluminou, como todo céu após uma tempestade tropical e todos arrumaram coragem e saíram da barraca. Meio ressabiados, com cautela, porém mais tranquilos porque enfim viram que não seriam devorados pelo monstro da floresta. Afinal, o monstro era apenas o colega Paulo, todo sujo de lama, E como ele era grandão,  jogador de basquete, ficou ainda maior coberto de lama.
            Todos se sentaram em volta de uma pequena fogueira que eles resolveram acender para iluminar a noite, e esquentar os corpos, pois o medo e a chuva fez com que todos sentissem muito frio.
            Ânimos acalmados, sentados em volta da fogueira, agora mais calmos e aquecidos, todos riram muito do acontecido, agora que o medo passou, eles deram muitas risadas. Ninguém admitiu que sentisse medo.
            O monstro da floresta? Ahh esse fica para a próxima historia.       
Fim!

Atividade: Em cada história uma surpresa

Autoras:
Gabriela Rodrigues
Ellen Beatriz

                                                                                                  


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