Já estava anoitecendo quando o grupo
percebeu que se anunciava um enorme temporal. Todos, imediatamente foram para
suas respectivas barracas, para tentar escapar do aguaceiro que estava para
cair. De repente, em meio a trovões e rajadas de vento a chuva despencou.
Na correria, e medo dos trovões,
acabaram entrando na barraca mais próxima e maior, onde dormiriam três amigos,
o Gabriel, o Pedro e o Paulo. Ao entrarem todos de uma vez, perceberam que
tinham esquecido as lanternas para trás, deixaram-nas caírem no chão e ficaram
muito apavorados, pois além do
aguaceiro, escureceu muito rápido, sem
falar dos trovões e relâmpagos. O medo os deixou paralisados, sem ação e não
sabiam o que iam fazer para resolver o problema, porque o breu era de meter o
dedo no olho.
Paulo, aparentemente o que estava
com menos pavor, vendo o desespero de todos, gritou dizendo que ia tentar pegar
ao menos uma das lanternas que caíra mais próximo da barraca em que eles
estavam. Pegou um galho que estava ao lado da entrada da barraca e tentou
puxa-la, porém as tentativas foram em vão , porque ela não estava tão perto
como ele imaginou, estava um pouco longe, onde seu braço não alcançava, apesar
das tentativas e, para piorar a situação, logo abaixo tinha um pequeno
declínio... Assim, ao se esticar para tentar alcançar a lanterna ele se desequilibrou
e acabou rolando morro abaixo. Para longe da entrada da barraca, onde, com a
ajuda da escuridão, não podia ser visto pelos colegas.
Pronto, agora danou-se! O desespero
foi total. Todos começaram a gritar, mais apavorados ainda. Agora, além da
chuva torrencial, escuridão total, trovões, relâmpagos, o vento forte ameaçando
levar as barracas, o colega ainda estava lá fora, sabe-se lá onde e correndo
risco. Isso sem falar dos barulhos da floreta que se misturavam com o barulho
da chuva. Eram urros... zunidos... Parecia que, de repente, a floresta ganhara
vida com a tempestade.
E agora? Quem teria coragem de sair
da barraca pra ajudar o colega? ...
Ninguém se manifestou...
Alguns ficaram tão nervosos que
começaram a gritar: Cuidado!
Cuidado! Olha o monstro da floresta!
Inesperadamente fez-se um silencio
apavorante e eles sem querer se puseram a relembrar a conversa que estavam
tendo antes do aguaceiro cair.
Quem visse de fora talvez não
entendesse o porquê de eles estarem tão desesperados. Era só uma forte chuva.
Porém quem lá estava sabia.
A gritaria e o medo não se davam
apenas por conta da chuva e trovões, ou por que o colega poderia se molhar
todo, isso dava medo, claro, mas tinha
um, ou vários, agravantes: Naquela floresta tinha monstros que vinham causando
terror aos moradores do entorno. Eles bem tinham sido avisados, mas, do alto da
arrogância juvenil, pensaram: Que nada, esse povo é medroso!
A tarde, quando estavam reunidos
conversando sobre o “boato” dos moradores, que naquela floresta tinha monstros,
todos se empolgaram e começaram a contar outras histórias de monstros em
florestas. Estava de dia, sol a pino, e a coragem estava a flor da pele, porém
agora, no escuro, o medo tomou conta.
Lá fora, era um breu total, não se
via nada, apenas uns pontinhos luminosos parecendo olhos, a espreita.
Subitamente, a porta da barraca se
abriu e algo entrou de supetão. Uma coisa enorme, que parecia estar com muita
raiva. Era grande e peluda. Apesar da escuridão, era possível perceber que
aquela coisa era gigantesca. Ou será que eles se encolheram de medo e coisa parecia maior? Eles não saberiam dizer.
O pavor os paralisou por um
instante, porém o sentido de proteção foi maior e todos começaram gritar e
atacar aquela coisa. Eles podiam até
virar comida de monstro, não passar daquela noite, mas não sem lutar.
Em meio à gritaria e sopapos eles
ouviram um grito, um rugido?? Mais alto ainda que os gritos deles...pararam de
repente... assustados, agarrando-se uns aos outros.
O monstro ergueu o braço e um colega
pulou para trás, não querendo ser o primeiro a ser devorado.
A coisa continuou erguendo a mão... Passou a mão na cabeça, e limpou o rosto,
numa tentativa de ver melhor... enxergar seus agressores ...
Com olhos arregalados e assustados,
ainda ressabiados e achando que poderiam virar quitutes na boca do monstro a
qualquer movimento, os adolescentes
foram se acalmando, se é que era possível ficar calmo naquela situação.
Assim, ao perceberem que não foram devorados os adolescentes abriram os olhos ...suspiraram
... e
“Ahhh, que alívio”... pensaram
todos, estamos vivo...
Ao erguer os braços o monstro queria
apenas se limpar da água e lama que escorria por seu rosto e o impedia de
enxergar.
Com o rosto limpo do excesso de lama
os amigos, agora menos apavorados,
perceberam que o “monstro” era apenas o amigo Paulo, que estava cheio de
sujeira por ter rolado morro abaixo. E
que ele não os estava atacando, estava tentando se defender por que não
conseguia enxergar nada.
Passado alguns segundos, a chuva
estava acalmando e já não se ouvia trovões e relâmpagos. O céu se iluminou,
como todo céu após uma tempestade tropical e todos arrumaram coragem e saíram
da barraca. Meio ressabiados, com cautela, porém mais tranquilos porque enfim
viram que não seriam devorados pelo monstro da floresta. Afinal, o monstro era
apenas o colega Paulo, todo sujo de lama, E como ele era grandão, jogador de basquete, ficou ainda maior
coberto de lama.
Todos se sentaram em volta de uma
pequena fogueira que eles resolveram acender para iluminar a noite, e esquentar
os corpos, pois o medo e a chuva fez com que todos sentissem muito frio.
Ânimos acalmados, sentados em volta
da fogueira, agora mais calmos e aquecidos, todos riram muito do acontecido,
agora que o medo passou, eles deram muitas risadas. Ninguém admitiu que
sentisse medo.
O monstro da floresta? Ahh esse fica
para a próxima historia.
Fim!
Atividade: Em cada história uma surpresa
Autoras:
Gabriela
Rodrigues
Ellen
Beatriz
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